Archive for 23 junho, 2008
Eleições Incoerentes
Durante os dias 10, 11 e 12 de junho, os estudantes de Comunicação da Unisinos puderam escolher os candidatos para conduzir o Diretório Acadêmico Tupac Amaru. Entre os concorrentes estavam as chapas Quem vem Contudo Não Cansa e Esfera Pública.
Os movimentos estudantis existem desde o século XV e têm o objetivo de lutar pela educação e demais causas sociais. Propondo desde melhorias associadas ao aprendizado até mobilizações que vão além dos portões das instituições de ensino. No Brasil, os movimentos estudantis começaram a ganhar força a partir do ano de 1937, com a criação da União Nacional dos Estudantes. Aliás, a UNE foi responsável por manifestações importantíssimas como: Petróleo é Nosso, durante a década de 1950, as Diretas Já pelo fim da ditadura e o Impeachment do Presidente Collor, no ano de 1991.
Atualmente, os movimentos não possuem tanta força como no passado. Hoje dentro das universidades, conhecidos como Diretórios Estudantis ou Acadêmicos, movimentos que exercem manifestações mais centradas aos interesses internos. Mesmo assim, é difícil encontrar notícias que exaltem lutas estudantis. Inclusive, algumas vezes batemos de frente com informações que até assustam. Por exemplo, a consciência política dos estudantes de Comunicação da Unisinos quase levou a extinção do Diretório Acadêmico Tupac Amaro. Foram apenas três, os votos que possibilitaram que as eleições atingissem o quórum necessário para salvar o D.A. A chapa eleita, Esfera Pública, conquistou 161, dos 198 votos registrados.
Ficam as interrogações, porque estudantes de Comunicação Social permaneceram tão acomodados diante as eleições? Como justificar essa inércia? Alunos que deveriam ser articulados, curiosos, preocupados, ativos em suas opiniões e ações simplesmente negligenciaram seus próprios direitos. Sem contar que muitos, mesmo sendo estudantes de Comunicação, nem sabem o que é um diretório acadêmico. E ainda, aqueles que sabem julgam o Tupac Amaro como um espaço mal representado.
Incoerência. Talvez seja essa a palavra que fica. Diante de estudantes de Comunicação Social, o mínimo esperado é de que entre eles exista uma comunicação efetiva. Esse universo desencontrado formado por futuros comunicadores mal informados, alunos omissos e estudantes eleitos por uma minoria e que não conseguem enjambrar um projeto que atinja os colegas, não faz o menor sentido.