Archive for Junho 10th, 2008

Mocinhos ou vilões?

Diversas atividades movimentaram a Semana da Comunicação, realizada na Unisinos, em homenagem aos 35 anos dos cursos de Comunicação da Universidade. Entre palestras e oficinas oferecidas, destacou-se a presença de representantes do Movimento dos Sem Terra, que compareceram ao Auditório Central do centro 4, terça-feira, dia 3 de junho, para exaltarem suas ações comunicacionais.

A palestra firmou polêmicas desde sua divulgação. O jornalista Políbio Braga chegou a travar uma batalha verbal com a Assessoria de Imprensa da Unisinos em seu site na web. Enquanto Políbio contestava a entrada de movimentos sociais de esquerda em uma universidade particular, a Assessoria da instituição contra-atacava argumentando que “a Unisinos orgulha-se de ser um ambiente de discussão e pluralidade, onde não há espaço para preconceitos”. Seja pela polêmica estabelecida, afinidades ou curiosidade, nenhuma cadeira ficou vazia durante a apresentação do MST. No palco, mediados pelos professores Pedro Osório e Thais Furtado, estavam a assessora de imprensa do movimento Raquel Caziragui e o integrante Vicente Willes.

Foto: Gabriel Gabardo

O movimento que luta por reforma agrária há 26 anos, procura passar uma imagem íntegra que apenas defende direitos estabelecidos por lei. Mostra-se organizado, possuidor de sistemas alternativos de comunicação como: o Jornal e a Revista Sem Terra de veiculação interna, o Jornal Brasil de Fato que divulga o trabalho do MST, rádios comunitárias, assessoria de imprensa e o site www.mst.org.br. Aliás, a assessora do movimento ressalta que a comunicação sempre existiu dentro do MST como um instrumento de divulgação e luta pelos seus objetivos. Raquel Caziragui ainda destaca que as mídias tradicionais não mostram nenhum interesse para divulgar abertamente o trabalho social do movimento.

Por outro lado, a imagem veiculada pela grande mídia é de um MST baderneiro que invade propriedades privadas, bloqueia estradas, provoca caos e desordem por onde passa. Movimento que dissemina violência e até prejudica anos de pesquisas como o ocorrido de 2006, em que 1,5 mil mulheres da Vila Campesina depredaram mudas de um viveiro da Aracruz Celulose.

Em geral, a esquerda os defende e a direita os condena. Outros nem têm uma opinião formada. A impressão que fica é de um movimento por um lado mocinho, por outro vilão. Mocinho que luta pelo direito de moradia, de sobrevivência. Vilão que perde a razão ao tentar buscar justiça através de atos violentos e criminosos. Ao leitor fica a opção de escolher o perfil que mais lhe parece convincente.

2 comments 10 Junho, 2008

MST não convence

Representantes do Movimento dos Sem Terra estiveram presentes na Semana da Comunicação, realizada na Unisinos. Mediados pelos professores Thaís Furtado e Pedro Osório, a assessora de imprensa do movimento Raquel Casiraghi e o integrante Vicente Willes, contextualizaram o MST e suas estratégias comunicacionais.

Foto: Gabriel Gabardo

Tanto a jornalista responsável por assessorar as ações sociais do movimento, quanto o integrante mostraram-se conforatáveis diante do público massivo que se encontrava no Auditório Central do Direito. O ambiente de uma universidade particular não parecia intimidá-los. Porém, o perfil dos palestrantes não fez juz as imagens constatadas a princípio. As falas iniciais deixaram a desejar, assim como as respostas atribuidas as perguntas da platéia.

Parece que faltou entusiasmo, vontade de apresentar o MST a um universo tão diferente dos acampamentos sem terra.  Raquel Casiraghi apenas contou que existem veículos alternativos que divulgam o movimento, mas não convenceu de que essas mídias funcionam como divulgação da causa. Ironizou com pequenos discursos como: “não é distribuindo panfletos na Esquina Democrática que mudaremos alguma coisa”, mas não apontou estratégias comunicacionais e até mesmo práticas para que mudanças aconteçam.

A assessora do movimento e Vicente Willes, ressaltaram que “a comunicação é vista pelo MST como instrumento da luta pela terra. Não só da posse, mas da nova concepção a ser construída sobre reforma agrária”. Entretanto, apenas atiraram esse fato àqueles que os assistiam. Aliás, o público massivo do início da palestra, foi reduzido durante toda a apresentação, poucos alunos ficaram até o final. Uma manifestação que aponta insatisfação e propõe que o perfil dos palestrantes está longe de ser comunicativo, e tão pouco convincente.

2 comments 10 Junho, 2008


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